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Tendências
& Debates Chilumeno
Menu A moeda angolana versus inflação A arte de fazer política remota desde os primórdios da sociedade. É a arte de aglutinar as forças, as capacidades e qualidades dos membros da sociedade de modo a promover o seu desenvolvimento e devolver a sociedade os frutos desse desenvolvimento em forma de benesses e proveitos. O ganho traduz-se na satisfação social e no bem estar dos seus membros. Assim crescem as sociedades. Porem esta lógica em Angola esta invertida, somente poucos ganham em detrimento da maioria. Tais ganhos tem analogia a situação de um indivíduo que se depara com um oásis no deserto. A sensação de satisfação ao deparar um oásis se esvazia no momento em que se vislumbra o imenso areall que o circunda. Os acontecimentos em Angola sucedem-se de tal forma que parecem não ter lógica. A política conturbada trilhas caminhos que levam a traição da arte de fazer política. As recentes remodelações na atual cúpula governista só produzirá algum efeito se conseguir empreender ações que garantam o mínimo de condições de estabilidade econômica, nomeadamente, redução da inflação a níveis aceitáveis, restabelecimento do credito aos operadores econômicos, restabelecimento pleno do sistema financeiro-báncario e execução de uma política econômica séria e responsável de modo a instaurar a confiança interna e externa para atrair investimentos. Um dos maiores problemas a ser atacado é o da inflação. Ela provoca distorções graves no âmbito econômico. Ela provoca efeitos perversos sobre o nível geral de preços, alterando o diferencial de preços entre os bens e serviços afetando toda a cadeia de produção desde a matéria-prima ate ao bem final. Essa mudança na cadeia produtiva caracterizada por remarcação de preços acaba pressionando o custo de vida que por sua vez estimula movimentos por aumentos de salários de forma a compensar as perdas decorrentes da inflação. Cria-se assim uma espiral em que um movimento puxa o outro detonando o mecanismo autoalimentador da inflação. Situações como esta são indesejáveis para o bom funcionamento da economia. A inflação também provoca distorções no âmbito do mercado financeiro e bancário desvirtuando o seu papel. E evidente que a inflação tem varias causas e não se pode debitar a uma única causa sua manifestação. Uma avaliação precisa das causas é necessário para que se possa empreender ações certas para combate-la. Na verdade a inflação é um sintoma é como a febre, sua presença é indicio de que há distorções graves na economia . Um diagnostico preciso é necessário para determinar quais as causas e os fatores que devem ser atacados. A experiência mostra que países com desequilíbrio na balança de pagamentos estão sujeitos a pressões inflacionarias originadas pela dinâmica dos agentes econômicos. Países em guerra em que há despesas enormes de custeio da maquina de guerra, onde os gastos públicos inevitavelmente aumentam, onde há escassez de bens e serviços as pressões inflacionarias são maiores. Por outro lado o expansão da massa monetária em circulação freqüente no nosso país, sem nenhuma contrapartida do lado real da economia que possa absorver esse aumento é um dos fatores que mais provocam inflação. Essa incompatibilidade entre desejos e possibilidades a muito é conhecida na historia econômica e entre nós tem sido resolvida com inflação, que sem dúvida nenhuma é uma violência do Estado contra o cidadão, que em Angola desfruta de uma tolerável aceitação. Temos sido cenário de extraordinárias justificativas de como a inflação é um monstro indomável, inevitável, gerado pelo conflito distributivo inerentes ao Estado de guerra e não como resultado de ações irresponsáveis do Estado de viver para alem dos seus limite e dos seus meios. E o imposto mais perverso e injusto que incide sobre os desprotegidos do sistema, concentra renda e por conseguinte piora a distribuição da mesma . Porem é muito atrativo e cômodo do ponto de vista da política, pois não há como se atribuir a culpa senão de forma abstrata ao Estado, a ganância dos especuladores e as intempéries do mercado. Por mais supérfluo que pareça atribuir responsabilidade é essencial para o processo decisório. A inflação é imoral, é um mal do qual todo politíco é capaz de se distanciar mesmo que se possa debitar o déficit publico genericamente aos políticos nenhum deles será responsabilizado pelo déficit que resulta do conjunto das suas ações. Não é o nosso caso onde facilmente é identificável a responsabilidade de tal déficit e ainda assim se desfruta de uma tolerável aceitação. A moeda representa para qualquer país um símbolo de soberania. Seu uso como meio de troca , unidade de valor serão preservados se fazerem bom uso das mesmas, quer dizer, se houver uma boa administração da mesma de modo a não provocar a erosão de suas propriedades. Embora o conceito de soberania seja muito ambíguo nos tempos atuais pois a dinâmica evolucionista da sociedade extravasam os limites do tradicionalmente soberano, os fatores inerentes a moeda que representam a soberania continuam preservados, mesmo abrangendo um espaço maior que ultrapassa os limites de espaço territorial. Um exemplo vivo é a recente implantação da moeda européia - "o Euro". A
saúde da moeda deve ser um principio fundador do próprio
Estado, e uma vez consignada em nosso ordenamento jurídico( constituição),
oferece importante salvaguarda para a cidadania contra abusos perpetrados
pelos governantes. |