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Especial
Muangolê Chilumeno
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Angola 25 anos depois, em busca da paz e do desenvolvimento " Comemorando-se dia 11 de Novembro de 2000 o 25º aniversário da independência da República de Angola, a Associação dos Estudantes Angolanos no Estado de São Paulo (AEA-SP), promoveu um ciclo de palestras para discussão e reflexão da realidade angolana, que futuro à espera e quais os rumos a tomar num mundo pautado pelo fim da bipolaridade política mundial (Socialismo & Capitalismo, ou Oriente & Ocidente) e pelo aprofundamento da globalização. As palestras iniciaram dia 1/11/2000, tendo como expositores o emérito Professor da Faculdade de Direito da USP ( Universidade de São Paulo e vice presidente da Comissão Internacional de Juristas Dalmo Dallari, e o Professor de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, o angolano Carlos Serrano. Comentários sobre a Palestra dos Professores Dalmo Dallari e Carlos Serrano. Em sua exposição
sobre as guerras africanas e a questão dos direitos humanos, Isto tem gerado enorme sofrimento aos povos que combalidos pelos 500 anos de colonização e das precárias independências alcançadas, não conseguem atender as demandas sociais dos povos incorrendo ao desrespeito dos direitos humanos e dos mais elementares. Referindo-se aos direitos humanos, Dalmo recordou vários fóruns de chefes de Estado africanos onde se discutiu a questão dos direitos humanos levando em conta tipicidades culturais, religiosas e outras e que culminou com a criação da carta africana dos direitos humanos em 1981, o que foi um importante passo adiante em defesa dos direitos dos cidadãos. "...basta agora cobrar desses governos o cumprimento dos acordos assumidos e o que têm feito". Apesar de tudo notou que alguns progressos ocorreram com a exposição maior dos conflitos à mídia, o que mobiliza uma ação mais rápida da comunidade internacional. Asseverou que mesmo em países onde a sociedade esta mais empenhada com as causa sociais, a violação dos direitos humanos ainda ocorre, daí as dificuldades de se implementar as diretrizes da Carta da ONU. Falando sobre a origem dos conflitos, cuja base na maior parte das vezes tem origem étnica, Dalmo recordou que, o fato de a colonização ter destruído a configuração étnica original se reflete ainda hoje, o que leva a constantes conflitos. Porém, assegurou que o fato de as nações hoje serem multiculturais ou (uninacionais), a África é o continente que melhor apresenta essa caraterística. "...As diferenças culturais se bem aproveitadas são experiências de vivência, riqueza de detalhes e elementos impulsionadores do desenvolvimento", fazendo uma analogia com as empresas que buscam diversificar seus recursos humanos em busca de novas experiências e maior eficiência. "...Mas é preciso que se encontre um elo comum através do qual se possa caminhar, aglutinar forças vivas dos países em busca do progresso". Por sua vez Aquelas pouco faladas, talvez possam num futuro muito distante vir a desaparecer. Porém, recordou que, os povos africanos têm uma caraterística bilingüe, caraterística essa que remota desde a antigüidade, pela necessidade de os povos se comunicarem com outros povos de línguas diferentes. Este traço reforça a continuidade das línguas. Em relação a língua portuguesa a o seu futuro em países onde ele é falada, ele não crê em seu desaparecimento, já que é uma língua veicular comum, extensível aos diferentes grupos culturais que compõem os países. Além do mais, o surgimento da CPLP veio dar mais alento a continuidade de ações tendentes a perpetuação da língua portuguesa. Analisando concretamente o caso moçambicano, país que aponta seus holofotes cada vez mais para os países da comunidade de língua inglesa, Serrano adiantou: "...renegar uma língua, seria renegar parte de sua cultura, seu passado, sua identidade. Seria apelar para uma recolonização a la inglesa". Como acha difícil isso acontecer, vaticina a continuidade da língua portuguesa, mesmo que se aprenda outras línguas, pois o bilinguismo faz parte dos povos africanos.
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